martes, 26 de febrero de 2008

Horizonte distante

Cada um é senhor de si mesmo, deve depender de si próprio; deve, portanto, controlar-se a si próprio. (Sakyamuni)

Noutro dia observava um grupo de emigrantes africanos sentados num café, falavam num dialecto estranho e riam; o comportamento do empregado anunciava que não se sentia muito a vontade com a presença jovial daquelas pessoas felizes. Senti-me incomodado mais pela cara do empregado do que pela zoada de risos. Não consigo entender...por vezes fico farto de comportar-me bem, ser educado conforme as normas duma cultura que não é a minha, apetece-me, tantas e tantas vezes mandar tudo e todos...a passear....a passear...observam? vêm como me controlo? Não, não é controlo...cheguei a conclusão faz tempo, que não adianta alimentar com pensamentos turbulentos os problemas dos outros...já tenho os meus,
observam? vêm como com o tempo nos tornamos egoístas? Não, também não é egoísmo nem egocentrismo. Continuo a pensar as mesmas coisas que tempos atrás, agora com uma diferença...o silencio está na moda. Sorrir, não dizer o que realmente pensamos...calar e gozar de fininho.
Vejo meu horizonte como esses carris de comboio, com Salsa, calado porque sou inconveniente, feliz, melancólico, triste, alegre, solo, acompanhado...mas sempre Vivo!

3 comentarios:

Anónimo dijo...

Nunca, mas nunca, te cales!

bjs - Fati

zeni dijo...

Maturidade é quando nos calamos por fora e sorrimos por dentro, quando só estão surdos a ouvir...

Salseira dijo...

É impossível agradar a todos. E quando alguém quer ser diferente do sistema instituído, ainda que seja um sistema em que se espera que cada um viva triste e infeliz, esse alguém é incompreendido.

Por isso mesmo não te cales porque os outros esperam que o faças. Mas também não fales porque os outros esperam que o faças. Não confies porque é isso que se espera de ti. Não desconfies porque os outros têm medo de confiar. Não faças o que os outros esperam de ti. Mas também não faças o contrário apenas porque é o contrário.

Tenta viver o mais de acordo com a tua natureza. Os que gostam de nós, gostam sempre... os que não gostam, não é por sermos como eles querem que passam a gostar mais.

Beijos!