domingo, 9 de marzo de 2008

Infinitos Momentos


Estou sentado num banco de jardim, o fino casaco que deixa entrar o frio, dois pombos vagueiam no empedrado pavimento em persecução…umas negras nuvens tapam o sol e observo o céu, dois namorados se beijam calorosamente nas formas dos nimbos. Não há Salsa, uma gravação de sons marítimos eróticos…uns tanques de pedra sem sal, engraçadas lontras que dormem flutuantes, a respiração que acelera…o choro duma criança, o pai que lhe abraça e acalma. Desço por um elevador em ferro, caminho e o vento que me soube gélido na cara agita meus cabelos….muitas palavras, ternura, silencio…paz…

Agarro o ar numa respiração profunda, exalo…fecho meus olhos e quando os abro, vejo um verde rio a minha frente, um homem de cómica postura, procura no chão pequenas pedras para coleccionar. Dois cães que saltitam; crianças que brincam aos pares…minha boca fica com um ténue sabor a gengibre e o sol, com sua tímida presença, faz com que o rio mude a sua cor nos olhos dum espelho. Estico minha mão e uma eléctrica sensação me percorre o corpo. Sinto um cheiro a canela e uma corrente de água em silêncio volta a fazer brilhar a cumplicidade, que estica a língua para beber dum fio. Toco meu peito e me sinto fundido no espaço duma coincidência que não existe…nunca existiu. Tudo têm a razão do inevitável, do sonho do qual nunca acordarei…dos passos das firmes pernas que andam com calma e suavidade ao som duma Salsa, para não perder o ritmo, para não perder o essencial… o maravilhoso sorriso desses verdes olhos nos quais vejo o gostoso infinito para me perder o tal vez sim, finalmente me encontrar…

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