lunes, 14 de abril de 2008

Contos do Quintal Salseiro: Couve Roxa

Glisminda, era uma bela mulher na casa dos 90 e tal anos; embora nunca deva referir-se a idade duma senhora a verdade é que Glisminda, cujos sonantes apelidos eram Apocopeia Tresídula del Monte, adorava fazer posses com as recentes reconstituições das suas unhas e esboçava sempre um falso sorriso esticado, não pela graça em si...e sim pela lobotomia labial, que agora as novas gerações intitulam de piercing.
Glisminda frequentadora assídua do nosso Quintal Salseiro era uma simpatia de rapariga , deixou saudades nalguns, menos no Tetónio Alcibíades da Curva, também conhecido como "Couve Roxa".
Contam aqueles que lhes conheceram de perto, isto é...aqueles que se lembram ou que tiveram trato com Tetónio e com a Glisminda, que nunca existiu nenhum par tão "sui generis" como eles. E porquê?
Bom...Tetónio Alcibíades da Curva, alias "Cove Roxa" tinha a fama de engatatão e de dançarino sinusoidal. De baixa estatura, bigodinho à agente policial dum livro do Georges Simenon, camisa aos quadrados de mangas cumpridas, sempre e devidamente penteado ao lado com aqueles produtos gordurosos para o cabelo como a vaselina. Tetónio marcava o passo base como ninguém, tinha seu próprio estilo até para isso...fanático incondicional do Frog Astalaire, o famoso coreógrafo dos filmes vermelhos de Madeirapodre. Em contrapartida Glismida tinha frequentado as melhores escolas de Salsa da zona vermelha e tinha sido dançarina "free-airbag" num bar nas ilhas gregas, daqueles bares para marinheiros russo e turcos em passagem para o mediterrâneo, onde ouviu pela primeira vez: Salsa!
Faziam o par perfeito! Tão lindos, tão simpáticos, tão...
O pseudónimo de "Couve Roxa" foi-lhe dado ao Tetónio por um colega de boleia salseira, pois o Tetónio não conduzia...quer-se dizer, conduzia mal, dada sua pequena estatura que não lhe permitia numa operação stop ser avistado pelas autoridades e que muitas vezes se via confrontado com a desusual pergunta pelo bilhete de identidade para verificação da maioridade de idade. A história vem duma operação policial onde o carro onde iam foi revistado com uma luz negra a procura de vestígios...Tetónio, cabelo incluido ficou roxo...a culpada tinha sido Glisminda, pois numa Kizomba apertou-o tanto contra um poste redondo do Quintal que ficou com a tinta plasmada nas nádegas e na cara. Na cara porque o Teti, como carinhosamente muitos lhe conheciam, numa volta largou a Glisminda e afanou-se de forma arrebatada ao dito poste; em fim coisas que acontecem...

3 comentarios:

zeni dijo...

Voltaram os 'velhos' contos, mas totalmente novos! E que tal um bocadinho de policial?

A oitava estrela a contar da lua dijo...

Humor "roxo"...do bom!!!...Mutio bom mesmo!!!

Jean dijo...

Olá!
Meu nome é Jean Rocha e sou do Brasil.
Achei seu blog muito interessante, contos muito bem-elaborados e linguagem envolvente... parabéns!

Se quiseres trocar links, podes visitar meu blog (clique em meu nome) e deixar um comentário como resposta.

Abraço!